sábado, 17 de maio de 2014

Os Próprios Deuses, Isaac Asimov


Título: Os Próprios Deuses
Título Original: The Gods Themselves
Escritor: Isaac Asimov (russo, naturalizado americano)
Ano de Publicação: 1972
Editora: Aleph
Gênero: Ficção Científica
Páginas: 367

"Contra a estupidez, os próprios deuses lutam em vão". Foi a partir dessa citação do escritor alemão Friedrich Schiller que Isaac Asimov criou a história de Os Próprios Deuses, livro ganhador do prêmio Nebula em 1972 e do prêmio Hugo em 1973. O livro é dividido em três partes interdependentes. A primeira parte do livro - "Contra a estupidez" - nos apresenta à Bomba de Elétrons, uma fonte de energia capaz de revolucionar a vida na Terra, mas que depende do intercâmbio de matéria com outro planeta. A segunda parte - "os próprios deuses" - mostra a vida nesse planeta do qual passamos a depender energeticamente. A terceira parte - "lutam em vão?" -, que se passa na lua, explora as tentativas de resolver os problemas decorrentes da bomba de elétrons.

Os Próprios Deuses definitivamente não é um livro indicado para quem começou a se aventurar pelo mundo da ficção científica, já que Asimov utiliza conceitos de física, química e matemática que não são conhecidos pela maior parte da pessoas, o que torna a leitura bastante complicada em alguns momentos. A primeira parte do livro, por exemplo, é dedicada a explicar ao leitor como funciona a bomba de elétrons. Um elemento químico chamado Tungstênio 186 é intercambiado com outro planeta por outro elemento químico: o plutônio 186. Em outras palavras: nos recebemos plutônio 186 em troca de tungstênio 186. Ocorre que esse elemento que o planeta Terra recebe - o plutônio 186 - não é quimicamente estável pelas nossas leis, já que ele possui 94 prótons e somente 92 nêutrons. Por conta disso, alguns pósitrons são eliminados do núcleo, gerando energia. O inverso ocorre no outro planeta, em que nosso tungstênio 186 não é estável, também gerando energia. Achou complicado? Pois é. Eu também. Mas com um pouquinho de paciência, dá para entender tudo e até aprendemos algumas coisas.

O que torna Os Próprios Deuses um livro fantástico, contudo, é sua segunda parte, que explora a vida no planeta com o qual estamos trocando matéria para a bomba. É assombroso ver até onde vai a criatividade de Isaac Asimov, que cria um mundo extraterrestre em que existem dois tipos de seres: os durões (the hard ones) e os suaves (the soft ones). A estrutura social e biológica desse planeta exige que três suaves convivam juntos em uma tríade formada por um patriarcal (responsável pelas crianças), uma emocional (responsável pelas emoções) e um racional (responsável pelo conhecimento). Preciso dizer que o sexo também é a três? Asimov não deixa clara para o leitor a forma física desses seres, mas seus processos mentais são tão envolventes que fiquei arrasada quando percebi que essa segunda parte tinha acabado.     

O ponto central da narrativa de Asimov é que o homem tornou-se dependente de energia e conforto. Essa dependência é tão extrema que nos tornamos estúpidos, ainda que diante do óbvio. Mesmo os fortes indícios de que a bomba de elétrons pode resultar na explosão do sol e na consequente eliminação da Terra são incapazes de impedir sua utilização, já que ela representa uma fonte de energia gratuita:
É um erro supor que as pessoas querem o meio ambiente protegido ou suas vidas salvas, e que se sentirão gratas com qualquer idealista que se disponha a lutar por essas causas. O que o povo deseja é seu próprio conforto. Sabemos disso muito bem, desde a crise ambiental do século 20. Assim que ficou estabelecido que o tabagismo aumentava a incidência de câncer de pulmão, a solução óbvia era parar de fumar, mas o remédio desejado era um cigarro que não estimulasse o câncer. Quando ficou claro que o motor de combustão interna estava poluindo perigosamente a atmosfera, a solução óbvia era abandonar esses motores, e o remédio foi desenvolver motores não poluentes (p. 72).
Os Próprios Deuses é a prova de que a ficção científica é um gênero da literatura capaz de forçar ao máximo os limites da inventividade humana. Poucas histórias conseguem ser tão criativas quanto esta, especialmente em sua genial segunda parte. Quem procura um livro único e revolucionário não se decepciona. Não é à toa que Asimov considera Os Próprios Deuses seu livro favorito.

Nota no Skoob: 4 de 5.

Outras resenhas de Isaac Asimov:
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8 comentários:

  1. Nossa, que interessante! Nunca li Asimov, porém pelo que percebi em sua resenha ele trás um pouco da entendimento de ciência para desenvolver a narrativa sobre a instabilidades dos elementos e como reagem em diferentes planetas. Assim como Asimov, você acha que este livro é seu favorito do autor?
    Desejo que tenha ótimas leituras!
    Beijo.
    Jéssica, d´O Feminino dos Livros.

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  2. É isso mesmo, Jéssica. No nosso planeta um elemento químico pode ser estável e em outro não (e vice versa). A ideia é muito interessante.
    Se fosse para eu me basear na segunda parte do livro, eu diria que é meu favorito sim, mas juntando todas as partes não. Deu para entender? Hahahahaha. Resumindo: considerando o todo da obra, eu ainda prefiro a trilogia da Fundação e Eu, Robô, mas a segunda parte de Os Próprios Deuses é brilhante!
    Beijo!

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  3. Nossa! Esse livro deve ser muito show!!
    Vontade de ler agoraaa!! :)
    Parabéns pelo post!
    bjs, Lu
    http://resenhasdalu.blogspot.com.br/

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  4. Nunca li nada do Asimov, mas sou curiosa, justamente porque ficção científica, apesar de tratar de ficção, traz muito de uma possível realidade humana :)
    Gostei da resenha.
    sete-viidas.blogspot.com

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  5. Peeble in the sky também é um ótimo livro do Isaac Asimov.

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    1. Fernando, você é a primeira pessoa que me indica esse livro. Tive que pesquisar no Google, acredita? A obra de Isaac Asimov é extensa demais! Imagino que ele tenha passado boa parte da vida escrevendo. Dica anotada ; )

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