quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A Ilha do Dr. Moreau, H.G. Wells


[Livro lido com a Lulu, do blog Lulunettes]

Título: A Ilha do Dr. Moreau
Título Original: The Island of Dr. Moreau
Escritor: H.G. Wells (Inglaterra)
Ano de Publicação: 1896
Editora: Alfaguara
Páginas: 172
Gênero: Ficção Científica

Vítima de um naufrágio, o britânico Edward Prendick é resgatado em alto-mar por um navio cujo destino é uma ilha praticamente desconhecida pelo resto do mundo. Lá ele conhece o Dr. Moreau, que conduz experimentos científicos de ética extremamente duvidosa, ajudado pelo médico Montgomery. Não demora até que Prendick compreenda que essa ilha é habitada também por outros seres não tão amistosos e que não será tão fácil sair de lá.

A Ilha do Dr. Moreau é um livro sombrio. Com toques de suspense e ficção científica, H.G. Wells desenvolve uma narrativa que nos assusta em diversos momentos pelas imagens grotescas que cria em nossas mentes. O que mais impressiona em A Ilha do Dr. Moreau não é, contudo, o seu clima macabro, mas sim os questionamentos que levanta acerca dos limites da ciência, da ética e da natureza humana. Nesse sentido, a obra de H.G Wells é quase alegórica, já que as perguntas que assustavam a humanidade no Século XIX continuam assombrando nossa civilização em pleno Século XXI.
sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Eleanor & Park, Rainbow Rowell


Título: Eleanor & Park
Título Original: Eleanor & Park
Escritora: Rainbow Rowell (Estados Unidos)
Ano de Publicação: 2013
Editora: Novo Século
Páginas: 328
Gênero: Jovem Adulto/Romance

O ano é 1986, então o leitor vai se deparar com uma vasta utilização de tecnologias hoje pré-históricas: walkmans, fitas cassete e pilhas são alguns exemplos. Eleanor é uma adolescente ruiva, gordinha e um pouco estranha que acabou de entrar em uma escola nova. Já no primeiro dia de aula ela enfrenta o dilema de não ser aceita em qualquer dos assentos do ônibus escolar. Park, o único menino oriental da turma, apesar de insatisfeito com a perspectiva de perder seu assento duplo, cede lugar a Eleanor sem nem imaginar que entre os dois acabará se estabelecendo uma conexão única.

Considerado pela crítica especializada um dos melhores livros da categoria Jovem Adulto de 2013, Eleanor & Park é uma leitura extremamente agradável. Rainbow Rowell tem uma escrita fluida, despretensiosa e relaxada. Esse é o livro ideal para quem está cansado de leituras mais “pesadas” ou para quem ainda é um leitor iniciante. Doce e ingênuo, Eleanor & Park é uma boa pedida para os românticos incorrigíveis ou para quem ainda lembra com nostalgia do seu primeiro amor.
segunda-feira, 4 de agosto de 2014

O Amor de Uma Boa Mulher, Alice Munro


Título: O Amor de Uma Boa Mulher
Título Original: The Love of a Good Woman
Escritora: Alice Munro (Canadá)
Ano de Publicação: 1998
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 373
Gênero: Contos

Alice Munro é uma escritora canadense que recebeu o prêmio nobel de literatura em 2013. Sua obra é composta basicamente de contos. O Amor de Uma Boa Mulher reúne oito desses contos, sendo o primeiro deles o que dá título ao livro.

Todos os contos têm em comum protagonistas femininas que sofrem com o papel que a sociedade atribuiu a elas, seja o de mãe, o de esposa ou o de filha. O feminismo de Alice Munro fica evidente em cada página do livro, mas sempre de maneira sutil, inteligente e perspicaz, o que torna os dilemas dessas mulheres extremamente reais e perturbadores. Apesar de esses contos se passarem na década de 50, os problemas enfrentados pelas mulheres modernas permanecem os mesmos, o que faz com que o livro seja mais atual do que nunca.
sexta-feira, 25 de julho de 2014

A História Secreta, Donna Tartt


Título: A História Secreta
Título Original: The Secret History
Escritora: Donna Tartt (Estados Unidos)
Ano de Publicação: 1992
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 517

O que você faria se não precisasse trabalhar para sobreviver? Passaria seus dias no shopping? Viraria surfista? Assistiria todos aqueles filmes que sempre quis assistir e leria todos aqueles livros que sempre quis ler? Em A História Secreta, somos apresentados a um grupo de jovens que está exatamente nessa situação. Henry e Francis têm um fundo monetário considerável do qual sacam mensalmente uma mesada. Bunny vive de favores conseguidos com o nome de sua família. Camilla e Charles contam o apoio de seus avós. Todos estudam grego e antiguidades na Universidade de Hampden, no frio estado americano de Vermont. Quando Richard, um californiano pobre, consegue uma bolsa de estudos, é nesse seleto e impressionante grupo que ele encontra seus novos amigos. Ele vai descobrir, entretanto, que há muito mais por trás da aparente vida perfeita desses jovens.
segunda-feira, 14 de julho de 2014

A Máquina do Tempo, H.G. Wells


Título: A Máquina do Tempo
Título Original: The Time Machine
Escritor: H.G. Wells (Reino Unido)
Ano de Publicação: 1895
Editora: Objetiva (Alfaguara)
Páginas: 145
Gênero: Ficção Científica

Ler A Máquina do Tempo é ter acesso à mentalidade científica do século XIX e às primeiras ideias concebidas sobre a viagem no tempo. Esse foi o livro que inaugurou, dentro da Ficção Científica, o subgênero viagem no tempo. Hoje um clássico, A Máquina do Tempo foi a base e a inspiração para muitas das histórias de viagem no tempo que surgiram depois.

O Viajante do Tempo (o narrador da história não nos conta seu nome) cria uma máquina capaz de transportá-lo para o passado ou para o futuro. H.G. Wells não explica o funcionamento desta máquina, limitando-se a descrever a primeira aventura deste viajante para um tempo futuro, especificamente para o ano de 802.701, em que a humanidade dividiu-se em duas grandes raças: os Eloi, seres belos e infantilizados que vivem na superfície da Terra, e os Morlock, seres atrofiados e pálidos que vivem no subsolo.
domingo, 6 de julho de 2014

Vigiar e Punir, Michel Foucault


Título: Vigiar e Punir
Título Original: Surveiller et Punir
Escritor: Michel Foucault (França)
Ano de Publicação: 1975
Editora: Vozes
Páginas: 262

O sociólogo francês Michel Foucault faz, em Vigiar e Punir, uma genealogia do poder punitivo do Estado e do complexo científico-judiciário onde ele se apoia, fixando seu olhar principalmente nos mecanismos de poder que perpassam essa punição de alguém pela prática de uma conduta considerada criminosa. Genealogia, aqui, é analisar a evolução de um conceito (no caso, o Poder de Punir) ao longo do tempo. Foucault analisa, em Vigiar e Punir, os instrumentos utilizados pelo poder de punir desde a Era Clássica, marcada pela técnica dos suplícios, até a Era Moderna, marcada pela pena de prisão.

Ler Vigiar e Punir é um desafio. Primeiro porque Foucault utiliza uma terminologia própria, que muitas vezes exige pesquisa para ser bem compreendida; segundo porque o livro demanda um comprometimento emocional, já que a realidade denunciada por Foucault nessa obra é difícil de ser digerida. Daí porque Vigiar e Punir exige amadurecimento por parte do leitor, que encontrará dificuldade tanto no texto quanto na temática. Quem chega ao final, entretanto, é agraciado com uma nova visão de mundo, com uma abertura de horizonte como poucas obras são capazes de proporcionar.
terça-feira, 1 de julho de 2014

As Virgens Suicidas, Jeffrey Eugenides


Título: As Virgens Suicidas
Título Original: The Virgin Suicides
Escritor: Jeffrey Eugenides
Ano de Publicação: 1994
Editora: Rocco (Selo L&PM)
Páginas: 206

Em As Virgens Suicidas, um narrador do qual nunca chegamos a conhecer o nome relata fatos ocorridos durante sua adolescência em um subúrbio americano. A principal atração da vizinhança é a família Lisbon, composta por um pai, uma mãe e cinco filhas de beleza impressionante. Logo nas primeiras páginas o leitor é informado do suicídio de todas as cinco meninas e convidado a tentar compreender, junto com o narrador, as causas dessa tragédia.

As Virgens Suicidas, apesar de sua temática polêmica e trágica, nunca se torna melodramático ou triste, já que o narrador da história, desde o início, fala dos suicídios com uma frieza técnica, estando mais interessado em levar o leitor para um caminho investigativo, e não sentimental. O livro é um relato quase obsessivo do dia a dia das meninas, permeado por referências a provas colhidas ao longo dos anos: um diário, fotos, objetos pessoais das garotas, depoimentos, trabalhos escolares, etc. Todos esses elementos contribuem para que o livro por vezes se assemelhe a um romance policial que, ao invés de recontar um homicídio, reconta suicídios.